As incertezas fluíam em seus pensamentos.
Como se ele tivesse que desconfiar de tudo,
até de suas próprias incertezas,
até de seus próprios sentimentos...
Como se tudo o que vivera, de repente,
se tornara algo irreal, como se tudo aquilo
tivesse se transformado em sonhos e, do nada,
ele tivesse acordado para viver sua dura e cruel realidade.
Se viu sem saber em quem poder depositar seus votos de confiança.
Sem alicérce, sem apoio e sem cúmplice algum.
Nada transmitia vontade para continuar.
Viveu remotamente desconfiando de todos,
se excluindo e escondendo de todos os prazeres que podia ter
naquela vida.
Sempre imaginara que alguém podia estar a idealizar
planos maquiavélicos contra sua pessoa.
Se perdia em madrugadas de solidão
e nada o fazia a sorrir outra vez.
Colecionava lágrimas sem sentidos,
e se dislumbrava quando via sua alma se perdendo,
vibrava comemorando tristezas, agonias, tormentos, torturas e loucuras.
Sempre imaginou que bastaria que quizesse ser feliz
que conseguiria alcançar tal estado emocional,
e que lhe seria necessário que brotasse em suas vontades
apenas a coragem de poder sair perdido, sem rumo,
que encontraria e realizaria todos seus sonhos
e conheceria todas as pessoas que seriam, de fato,
responsáveis pelo seu bom estado de espírito.
As vezes, discordava consigo mesmo,
lhe perguntava de onde saíria tal coragem
se sempre se viu afoite e covarde
diante de malefícios rotineiros.
Mas residiu na solidão...
Jonas Cironzinho
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
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