Era fim de tarde com o céu nublado,
não conseguia presenciar nem mesmo o pôr do Sol,
sentou-se em um banco qualquer de uma praça qualquer,
ficou ali imaginando e esperando aquele amor qualquer
que sempre sonhou em encontrar.
Guardava consigo experiências não satisfatórias
e nada promissoras para o seu sucesso pessoal.
Quando deu por si já estava deitado naquele banco qualquer
daquela praça qualquer.
A noite já se aproximava e se perguntava
se ao menos as estrelas ele poderia ver.
Ficou imaginando coisas sem sentido,
e as comparava à sua existência.
Nunca guardou em si um orgulho próprio vigoroso
e cheio de auto-estima.
O céu já escurecera e o frio começara a ser sentido,
ele, deitado, com os braços abaixo da cabeça
ficava indagando de como aquelas nuvens escuras
podiam ter a coragem de esconder a beleza de tantas estrelas.
Aquilo o inquietou e ficou como pensamento oscilante em sua cabeça por horas a fio.
Ali já havia esquecido o sentido de um sorriso,
se é que se lembrava o que era realmente,
um pingo de chuva caiu sobre o seu rosto e ele pareceu não notar,
aquele pingo se misturara com as lágrimas que escorria de seus olhos
e que ele não havia percebido, estava emocionado, de coração aberto
para sentimentos que possívelmente nunca havia lhe ocorrido.
Se contorceu com o frio que sentira
e pensou em se afastar dali, mas não movimentou um dedo sequer,
ficou paralisado naquele lugar inóspito e nada peculiar.
Agora se via ansioso ao aguardar os pingos frios e fortes da chuva
que estava por vir.
Começou a se lembrar de bons momentos que já vivera
e que não lhe ocorriam mais,
aquele vento frio batia em seu corpo e ele se imaginava
sob um Sol de verão, numa beira de praia.
Como se em meio às nuvens saíssem raios de luminosidade
para o aquecer, se sentia afoito ao perceber que aquele frio cortante
havia sido arrebatado e revogado de si.
Agora nada mais o incomodaria,
tinha feito de seus sonhos algo real, com propósito e serventia.
O que mais seria considerado transtorno?
Permaneceu por minutos sonhando acordado,
até que a chuva se tornara forte e tempestuosa,
então resolveu acordar...
Mas decidido, afirmara para si próprio que aquilo
não mudaria em nada o seu sentido e a razão que guardava consigo.
Começou a caminhar em direção ao vento,
o sentimento de controversia e desafio o agradava,
lembrava-se constantemente de como tudo
sempre lhe foi contra o vento e morro acima.
Parou em uma esquina qualquer para que pudesse refletir,
embora já o fizesse tanto, a chuva já se aquietara.
Algumas estrelas já podiam ser vistas e contempladas,
dentro de seu eu brotou um sorriso, mas como de costume
não o demonstrou, nem para si próprio, nem se viu ao caso
de assimilar a gratidão que teve por instantes, ou milésimos de segundos.
Uma estrela já brilhava, e mesmo ensopado
ele sabia que algo estava ocorrendo,
se seria bom ou se seria ruim não coube a ele desvendar.
Agora, sentado na porta de um buteco qualquer,
em uma esquina qualquer,
esticou suas pernas e inclinou sua cabeça para trás,
sentia-se jogado naquela esquina qualquer que encontrara em seu caminho.
Em repentes, se via ameaçado com pensamentos normais,
não gostava do comum.
Pensava em rumos da vida e em que lugar poderia chegar,
em como, de repente, todas as cousas ficaram impossíveis
e lhe arrancavam todas as suas vontades e desejos.
A madrugada já chegava, ele sem relógio, a bateria do celular vazia,
aquilo lhe parecia muito propício e instigante para acontecimentos
favoráveis para sua formação (nada) pessoal.
Lembrava e guardava consigo aquele sorriso que admirava,
pensava e indignava-se como se tornou tão inesquecível
e em um repente havia sumido.
Fechou os olhos, não queria ver nada por alguns instantes.
Nem a enchorrada sobrevivia mais,
só lhe restava o frio da madrugada e o asfalto molhado.
Do outro lado da rua uma árvore que nos orvalhos em suas folhas
refletiam a luz do poste.
Se imaginou dentro de cada gota, um pedaço seu em cada uma,
todas separadas e distanciadas, hora e outra uma caía
e se espedaçava no asfalto, se perdia, se extinguia.
Levantou e tomou um rumo qualquer,
em uma rua qualquer,
decidiu se entregar ao destino,
seja ele qualquer que for.
Jonas Cironzinho
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Poderia
Eu poderia sair para conhecer outros lugares,
sentir outros cheiros, apreciar novas paisagens,
me desfrutar de outros amores...
Eu poderia sair para viajar,
me entregar para o mar,
fazer amizade com um golfinho
e pedir para ele me carregar até alto-mar.
Eu poderia desistir de tudo,
esquecer até as coisas mais normais,
editar cada situação já acontecida que me ocorrera,
excluir momentos de confusão, as coisas que eu disse não.
Eu poderia conhecer tantos outros lugares,
me redefinir e me reconhecer, ou conhecer, realmente.
Eu conseguiria me esmirilhar, me emoldurar.
Eu poderia mudar,
largar tantas coisas que me prendem,
parar de pensar somente nesse futuro distante e incerto...
E, bem capaz, que seria tudo tão mais empolgante,
benevolente, envolvente e tranquilizante.
Para tudo bastaria um primeiro passo,
seja com algo simples e fora do normal,
mas bastaria apenas isso, um passo,
um recomeço, uma nova ideia,
uma transfusão de pensamentos de mim
para mim mesmo em forma de motivação
e despertar de alegrias que me ocorresse
o dom da percepção inalcançável por tantos...
Mas isso me falta,
não me ocorre, a não ser assim,
por instantes, e então passa,
e nem sei quando pode voltar...
Jonas Cironzinho
sentir outros cheiros, apreciar novas paisagens,
me desfrutar de outros amores...
Eu poderia sair para viajar,
me entregar para o mar,
fazer amizade com um golfinho
e pedir para ele me carregar até alto-mar.
Eu poderia desistir de tudo,
esquecer até as coisas mais normais,
editar cada situação já acontecida que me ocorrera,
excluir momentos de confusão, as coisas que eu disse não.
Eu poderia conhecer tantos outros lugares,
me redefinir e me reconhecer, ou conhecer, realmente.
Eu conseguiria me esmirilhar, me emoldurar.
Eu poderia mudar,
largar tantas coisas que me prendem,
parar de pensar somente nesse futuro distante e incerto...
E, bem capaz, que seria tudo tão mais empolgante,
benevolente, envolvente e tranquilizante.
Para tudo bastaria um primeiro passo,
seja com algo simples e fora do normal,
mas bastaria apenas isso, um passo,
um recomeço, uma nova ideia,
uma transfusão de pensamentos de mim
para mim mesmo em forma de motivação
e despertar de alegrias que me ocorresse
o dom da percepção inalcançável por tantos...
Mas isso me falta,
não me ocorre, a não ser assim,
por instantes, e então passa,
e nem sei quando pode voltar...
Jonas Cironzinho
Experiência.
Experiência;
Cada instante com seu próprio fundamento.
Cria-se todo um ênfase a cada respirar,
a cada ar que faltar.
Vivência;
Momentos guardados e valorizados.
Sobre tudo, experiência.
Jonas Cironzinho
Cada instante com seu próprio fundamento.
Cria-se todo um ênfase a cada respirar,
a cada ar que faltar.
Vivência;
Momentos guardados e valorizados.
Sobre tudo, experiência.
Jonas Cironzinho
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