Indagou-se em como definiria para si mesmo
aquele sentimento que ele sempre denominou de "amor"...
Sentimento esse que sempre lhe trouxe dor e agonia...
Sentimento incompreendido, torturado, solitário...
Sempre quando o frio ele sentia e os arrepios pelo corpo surgiam
ele já sabia o que estava por vir...
Em noites frias e solitárias não havia filmes, músicas ou poemas
que o alegrassem e o encorajassem a delimitar-se a levantar
daquele canto escuro que ele aprendeu a gostar...
Aquele canto, atrás do sofá e ao lado da parede,
com certeza, sabia mais de seus sentimentos
que qualquer um que o rodiasse,
mais, até mesmo, que ele próprio...
Talvez aquelas lágrimas que ele deixara rolar
fizessem algum sentido, tirando as ressalvas em
que ele se questionava e murmurava para tentar sair dali...
Canetas jogadas, folhas rabiscadas e amassadas,
tudo aquilo parecia de nada servir...
Se contorcia em choros silenciosos e se desperdiçava
em sentimentos torturosos e sem explicação...
Não sabia parar para olhar as coisas boas,
sentia como se tudo estivesse sido perdido,
como se tudo tivesse se revelado contra si próprio...
Levantava-se vez e outra e se colocava em frente à janela,
mas naquele dia não havia estrelas para ele poder interrogar.
Sempre as perguntava como podiam viver sempre sozinhas
e ainda assim conseguiam erradiar aquele brilho que sempre o
encantou...
Às vezes era como se ele pudesse as escutar dizendo
que mesmo sozinhas como sempre foram
eram de seu dever ficar ali sempre brilhante
para que servissem para que as pessoas pudessem se guiar
e se inspirar por sobre tal brilho irradiado,
e que aquilo sempre as satisfaziam...
Mas ele nunca compreendeu...
Sentou-se naquele canto e começou a angustiar-se...
Lamentos e desprezos, tristezas e tormentos, tortura...
Talvez ele não visse aquilo como um motivo sólido
para ter que estar sempre belo e brilhante,
sendo que nem sempre ele contemplava as estrelas.
E o que estariam elas fazendo enquanto ele não às olhava.
Ficariam sem brilho? Perderiam o sentido de direção?
Quem sabe uma estrela cadente seria alguma suícida
e que tentou chamar atenção em prol de todas as outras...
Como sacrifícios, ou coisa parecida... não soube destinguir...
Seus pensamentos se perderam por horas
em reflexões e filosofias jamais percebidas...
Em um repente ele buscou um espelho,
pensou em se encarar, mas ficou com medo...
Colocou o espelho com a face para o chão
e o encarou de costas, como um covarde
com medo de olhar nos olhos, em seus próprios olhos...
Não saberia o que aconteceria.
Ao imaginar se olhando já se assustava,
aquilo o incomodava e o torturava...
Em um repente pegou e olhou o espelho se encarando...
Suas pupílas se dilatavam e se recolhiam exageradamente,
como se estivesse tomando posse de si mesmo...
Pensou em largar o espelho, mas não conseguiu...
Sentiu-se dominado e sem escapatória,...
Agora voltaria a escutar tudo aquilo de que tanto havia fugido,
seus próprios conselhos...
Escutou frases sobre o amor, a paixão, a saudade e a amizade...
Delimitava-se a se ignorar, como se ele próprio fosse alguém
que não soubesse o que estava dizendo...
Pura perda de tempo, concluiu largando o espelho...
Mas sabia, dentro de si, que aquilo não se classificava
como algo normal e rotineiro...
Seria poucas as chances em que se poderia ouvir de si mesmo
conselhos e críticas nada construtoras...
Mas sempre soube que a sua história ainda não chegara ao final...
Jonas Cironzinho
sábado, 26 de setembro de 2009
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