segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Qualquer...

Era fim de tarde com o céu nublado,
não conseguia presenciar nem mesmo o pôr do Sol,
sentou-se em um banco qualquer de uma praça qualquer,
ficou ali imaginando e esperando aquele amor qualquer
que sempre sonhou em encontrar.
Guardava consigo experiências não satisfatórias
e nada promissoras para o seu sucesso pessoal.

Quando deu por si já estava deitado naquele banco qualquer
daquela praça qualquer.

A noite já se aproximava e se perguntava
se ao menos as estrelas ele poderia ver.
Ficou imaginando coisas sem sentido,
e as comparava à sua existência.

Nunca guardou em si um orgulho próprio vigoroso
e cheio de auto-estima.

O céu já escurecera e o frio começara a ser sentido,
ele, deitado, com os braços abaixo da cabeça
ficava indagando de como aquelas nuvens escuras
podiam ter a coragem de esconder a beleza de tantas estrelas.
Aquilo o inquietou e ficou como pensamento oscilante em sua cabeça por horas a fio.

Ali já havia esquecido o sentido de um sorriso,
se é que se lembrava o que era realmente,
um pingo de chuva caiu sobre o seu rosto e ele pareceu não notar,
aquele pingo se misturara com as lágrimas que escorria de seus olhos
e que ele não havia percebido, estava emocionado, de coração aberto
para sentimentos que possívelmente nunca havia lhe ocorrido.

Se contorceu com o frio que sentira
e pensou em se afastar dali, mas não movimentou um dedo sequer,
ficou paralisado naquele lugar inóspito e nada peculiar.
Agora se via ansioso ao aguardar os pingos frios e fortes da chuva
que estava por vir.

Começou a se lembrar de bons momentos que já vivera
e que não lhe ocorriam mais,
aquele vento frio batia em seu corpo e ele se imaginava
sob um Sol de verão, numa beira de praia.

Como se em meio às nuvens saíssem raios de luminosidade
para o aquecer, se sentia afoito ao perceber que aquele frio cortante
havia sido arrebatado e revogado de si.

Agora nada mais o incomodaria,
tinha feito de seus sonhos algo real, com propósito e serventia.
O que mais seria considerado transtorno?

Permaneceu por minutos sonhando acordado,
até que a chuva se tornara forte e tempestuosa,
então resolveu acordar...

Mas decidido, afirmara para si próprio que aquilo
não mudaria em nada o seu sentido e a razão que guardava consigo.

Começou a caminhar em direção ao vento,
o sentimento de controversia e desafio o agradava,
lembrava-se constantemente de como tudo
sempre lhe foi contra o vento e morro acima.

Parou em uma esquina qualquer para que pudesse refletir,
embora já o fizesse tanto, a chuva já se aquietara.
Algumas estrelas já podiam ser vistas e contempladas,
dentro de seu eu brotou um sorriso, mas como de costume
não o demonstrou, nem para si próprio, nem se viu ao caso
de assimilar a gratidão que teve por instantes, ou milésimos de segundos.

Uma estrela já brilhava, e mesmo ensopado
ele sabia que algo estava ocorrendo,
se seria bom ou se seria ruim não coube a ele desvendar.

Agora, sentado na porta de um buteco qualquer,
em uma esquina qualquer,
esticou suas pernas e inclinou sua cabeça para trás,
sentia-se jogado naquela esquina qualquer que encontrara em seu caminho.

Em repentes, se via ameaçado com pensamentos normais,
não gostava do comum.

Pensava em rumos da vida e em que lugar poderia chegar,
em como, de repente, todas as cousas ficaram impossíveis
e lhe arrancavam todas as suas vontades e desejos.

A madrugada já chegava, ele sem relógio, a bateria do celular vazia,
aquilo lhe parecia muito propício e instigante para acontecimentos
favoráveis para sua formação (nada) pessoal.

Lembrava e guardava consigo aquele sorriso que admirava,
pensava e indignava-se como se tornou tão inesquecível
e em um repente havia sumido.
Fechou os olhos, não queria ver nada por alguns instantes.

Nem a enchorrada sobrevivia mais,
só lhe restava o frio da madrugada e o asfalto molhado.
Do outro lado da rua uma árvore que nos orvalhos em suas folhas
refletiam a luz do poste.
Se imaginou dentro de cada gota, um pedaço seu em cada uma,
todas separadas e distanciadas, hora e outra uma caía
e se espedaçava no asfalto, se perdia, se extinguia.

Levantou e tomou um rumo qualquer,
em uma rua qualquer,
decidiu se entregar ao destino,
seja ele qualquer que for.


Jonas Cironzinho

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 

Contador Grátis