quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sempre sem entender

Sempre foi um garoto confuso
que aprontava em festas
e em rodas de amigos, sabia como fingir ser o mais feliz...
Sempre com aquele sorriso amarelo escancarado na face,
e que mesmo apesar de nunca ter sido verdadeiro,
até o próprio se fez acreditar que aquilo era sincero e prestigioso...
As vezes em revoltas de instantes e contratempos
aquilo o indignava, talvez por nunca ter tido realmente
toda aquela empolgação e motivamento para tal felicidade,
todavia demonstrada...
Toda vida teve tudo, toda vida teve nada,
toda vida no obscuro, as vezes, vagando pela madrugada...
E aquele garoto nunca havia conseguido entender
todo o real propósito de se viver;
sendo que a única certeza que possuía seria sua morte,
o seu desaparecimento, a desolação...
E que sempre pensou como tantas pessoas tidas como hérois nacionais,
por seus países, ou planeta, que seja, arriscaram, e desperdiçaram,
suas vidas para o bem de tantos e o reconhecimento próprio,
e como poderia tal ato heróico ser visto como algo como grandioso para os mesmos.
Sempre imaginou que aqueles não teriam encontrado a felicidade própria,
assim como ele, e que se entregaram a primeira causa impossível que avistaram
e que haviam decidido que aquilo ali talvez compensasse que algo
grandioso fosse feito, mesmo sem uma caneta e um papel por perto,
para se ter, ao menos, um mínimo de calculo do possível perante o impossível,
e que aquilo mesmo dentro do alcançável seria a maior besteira já feita,
demonstrando todo aquele desperdício de tempo,
e mesmo que haja o tal do reconhecimento, mesmo com medalhas,
mesmo que possa, sequer, haver a benevolência do orgulho próprio,
as vezes tirado como impróprio e desgastador de alma, de pensamento...
Do que aquilo lhe adiantaria? Do que se teria orgulho de águas passadas,
de coisas que nem voltariam, de momentos impolgantes acabados,
de histórias, que se não houvessem testemuhas, poucos acreditariam.
E aquele garoto nunca conseguiu entender aonde estaria o real sentido
de todas as coisas que lhe rodeavam, as amizades passageiras,
a felicidade inconstante, o bem empolgante e estressante demonstrado na cara,
sem pudor, com certa violência ao se analisar...
O menino tocou sua vida, mesmo sem saber, como se nada o fosse destruir,
mesmo com toda essa incerteza à sua volta.
E ele nunca havia encontrado algo que realmente lhe valesse à pena,
não fossem seus pais sempre cuidadosos e prestigiosos com o garoto,
com certeza ele ja haveria realizado loucuras, viagens de ida e sem volta,
percursos ao acaso.
Como se deixasse tudo por conta do destino,
iria para onde o vento soprasse,
largaria os estudos, a faculdade, os 'amigos',
a casa, saíria com roupas na mochila e respiraria outros ares,
desvenderia novos horizontes,
tentaria esquecer toda aquela incerteza,
toda aquela dúvida que o assombrava...
Mas volte à realidade, do que o adiantaria?
Não teria moradia fixa, nem o carinho dos pais,
nem os 'amigos' que lhe rodeavam com tamanha frequência,...
O garoto sempre tinha consigo um papel e uma caneta,
e era sempre uma caneta, nunca um lápis e uma borracha,
ele não gostava de apagar os erros e mascarar a realidade,
curtia lembrar de onde sempre errava,
e foi o que fez aquele garoto sempre aprender a escrever sem borracha,
aos rabiscos e garranchos ele sempre levou sua vida,
sempre daquele jeito com sorrisos e amizades,
mas sempre sem entender...

Jonas Cironzinho

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