Como começou, quando começou,...
Começou...
Sempre foi uma crisinha de solidão, um choro triste que me surpreendia,
alguns calafrios, sentimentos fúnebres, desejos de suícidios,
mas nada comprometedor, no outro dia tudo era festa,
brincava e sorria...
Dias se passavam e nada mais daquele sentimento.
Mas o medo não avisa quando vai vir,
ele simplesmente aparece, como quem de repente resolve brincar de um jeito nada agradável.
Ele começa fantasiando na sua mente, te fazendo sentir como
se você estivesse apenas jogando, fazendo charminho e que você está bem,
que está fazendo só por querer chamar a atenção,
e aí você vai se deixando levar como quem não se importa,
e acaba por entrar na brincadeira,
mas o jogo muda de fase e a próxima é bem mais complicada.
Quando você vê já exclui conversas com amigos, telefonemas com a namorada,
bate papo da internet, se alguém chama no celular você já não tem vontade de atender,
aquela menina que você sempre quiz conversar? De repente ela até acha ruim de você não retornar as ligações.
Até aí tudo normal, nem tanto, mas não muito questionável.
Mas aí vem a hora que o único lugar que te faz bem
é quando você coloca o colchão detrás do sofá e cria uma fortaleza',
tranca as portas, desliga as luzes, o celular, tira o fio do telefone,
para que ninguém te incomode, ninguém saiba aonde você está...
Quando vê, anda devagar na rua de punhos armados
e com um canivete na mochila com medo de ser surpreendido,
aquela menina que tanto encarava no caminho para faculdade
de repente você vira a cara e olha de rabo de olho se preparando para correr
caso ela comece a andar para o seu lado.
Quando chega na sala senta nos fundos, não interage com ninguém,
não presta atenção nas aulas, não se importa com trabalhos e provas,
já não existe mais concentração, nem memória, esvazia as lembranças como quem rasga folhas de papel.
E ainda sente que está muito envolvido em tudo que lhe rodeia.
Os pensamentos de suícidio predominam a cada instante,
antes era capaz de jurar incapacidade a tal ato,
hoje já se julga como um covarde por ainda não tê-lo feito.
A coragem já começa a querer aparecer, as idéias que antes eram sobre
invenções ou situações, agora são sobre maneiras'.
O medo é como o mundo da lua,
tudo pode acontecer...
sexta-feira, 2 de abril de 2010
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