Aquele dia confuso que se acorda no meio de multidões de travesseiros e edredons enrolados entupindo e impedindo qualquer passagem para se sair do quarto. Na geladeira só bebidas, na mesa só garrafas vazias e na cabeça a tal da ressaca. No coração o vazio. Passar o dia se perguntando da falta de sentido que vem surgindo até mesmo nas coisas que antes faziam sentido e tinham valores. Se estranhar e se desconhecer perante qualquer linha de pensamento. Pensar em morrer já virou rotina, nada mais estranho do que estar bem contudo em sua volta e ao mesmo tempo notar que não gosta de nada disso. Se sentir um simples acaso que não faz diferença também já é normal. Dá um gole na vodca e veste a roupa pra ir trabalhar, olha pro colchão e cai de cara, não tem animo pra porra nenhuma. Pensar em subir pro quarto andar e dar de cara no asfalto já virou besteira, ter os mesmos pensamentos as vezes cansa também e não quer ficar mais feio do que é no velório. Sumir com o corpo é uma ótima ideia, horrível não conseguir se lembrar de alguém que já se foi porque a imagem no funeral não sai de sua cabeça, é uma ótima ideia realmente. Levanta e vai ligar o carro. Droga esqueceu de conferir o óleo do motor. Que se foda. Dirigi distraído em imaginações porque o aparelho de som parou de funcionar sem motivos aparentes e morre de preguiça de levar pra arrumar. Que se foda também.Canta uma música na cabeça e espera o dia acabar, bom, ruim ou catastrófico, ja nem faz sentido mesmo, o importante é que se acabe.
Jonas Cironzinho
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
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