As coisas são como são, ou como nós vemos? Quando não queremos ver a realidade, nós preferimos ver o que vemos, com unhas e dentes para defender uma falsa visão, uma perspectiva que apaga os erros. Somos prisioneiros de um único ponto de vista. O olhar que importa é o nosso, o que os outros veem é irrelevante, são apenas pontos de vista. O que não entendemos é que desta forma perdemos a profundidade e o mundo se planifica. A visão cerceada aos nossos caprichos desconfigura a possibilidade da descoberta, do instinto, do risco. O próximo passo pode parecer mais seguro, mas se torna medíocre tendo em vista que se precipita para dentro de si. É preciso desapegar. Desapegar feito o vento que esbarra e se solta das águas desenhando a grande onda que se espatifa a beira mar. Eu aprendi a ser livre, livre de mim mesmo, de todos esses preceitos e suposições. Eu descobri que eles não passam de medos mesquinhos e covardes. Já basta. Não serei mais o próprio espelho da minha alma. Desafio-me, desconcentro-me, devoro-me e me cuspo. Aprendi que o resultado é sempre surpreendente. A imagem, que parecia distorcida, só é assim vista de longe, quando você se aproxima descobre que é repleta de nuances e detalhes, rica por essência e espirito. Agora engulo o mundo e cresço a velocidade da luz. Decifro-me e ao mesmo tempo devoro-me e a cada segundo desperto inúmeras possibilidades, descubro o infinito dentro de mim.
SERDEBARRO & ELISA BARLLETT.


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